30, julho, 2012

Pão com arte

 

Neiva Terceiro durante a Fipan 2012Mais uma feira de panificação visitada e para cada visitante um sentido, cada um tem um interesse e uma visão de tudo que é apresentado. Para o meu segmento que ainda é muito pequeno (Artesanal)e é composto por quem retrocedeu no tempo para resgatar sabores e, ao mesmo tempo, acompanhou a modernidade para agregar qualidade e novidades. Tenho uma visão da panificação desde meu tempo de criança: aquela da avó, tia e mãe fazendo pães em casa para a família de maneira bem rústica e artesanal, de tios que trabalharam em grandes padarias naquele estilo antigo, transformando a farinha (a grande estrela da panificação) em vários pães tradicionais, tipo pães italianos, brioches, pães doces com cremes e frutas, sonhos com creme confeiteiro, fora a confeitaria, brigadeiros, quindins, mini porções, bolos pão de ló, mil folhas, carolinas, bombas e etc…
 
E com o passar dos anos, também o contato com o meu sogro que trabalhou quase a vida toda em padarias de São Paulo, tive o prazer de visitar e conhecer a produção de várias delas, nessa época eu nem sonhava em ser padeira, mas de alguma forma acho que a vida sempre colocou no meu caminho e um dia esse dom aflorou. Lembro que em 1994, quando comecei a me interessar por panificação, ela ainda era bem rústica, maquinários mais simples, a farinha era um dos principais produtos e ai se agregava outros ingredientes que iam fazendo a diferença dos pães.
 
Depois veio a pré-mistura tanto para pães doces como para pães salgados. Foi uma febre. várias padarias começaram a usar pela praticidade, pois com a pré- mistura se agregava poucos ingredientes; em algumas só água e o fermento. Bastava ter bons misturadores de massa e mesários. Foi nesse momento que acredito ter começado a faltar a mão de obra “Padeiro” e generalizar os pães, todos tinham o mesmo sabor, só mudava o formato e tamanho.
 
Hoje vejo que esse conceito está mudando, as padarias convencionais estão mesclando: usam a farinha de trigo para alguns pães tradicionais de alta rotatividade e as pré-misturas para outros tipo de pães especiais ao qual muitos denominam como “Artesanal” pela variedade de pães internacionais e pães com grãos que são oferecidas no mercado de pré-misturas. Como são pães com um mercado ainda pequeno não compensa desenvolver fichas técnicas para cada produto e sim usar as pré-misturas. São marcas de boa qualidade, tanto nacional como internacional, mas no meu conceito não é um pão artesanal de fato.
 
Também o que está mudando em nosso país é a qualificação. Hoje temos ótimos cursos profissionalizantes e muitas pessoas interessadas na arte de fazer pães. Há uma demanda por profissionais que tenham um conhecimento técnico, consigam desenvolver receitas (fichas técnicas) e resolver problemas durante a produção. Também vejo uma procura muito grande por jovens na área de panificação e confeitaria.
 
A primeira feira de Panificação que visitei foi em 1995 e na época vi muitos maquinários, misturas para confeitaria, fiquei encantada com a feira. Depois do ano 2000, comecei a visitar a Fipan de dois em dois anos como gosto de fazer atualmente.  O bom é pular um ano, pois as novidades chamam mais a atenção nesse intervalo.
 
E as feiras internacionais procuro ir quando surgem as oportunidades, em 2010 visitei a Europan, na França, e ano passado visitei a Intersicop, em Madri. Na Europan (França), percebi o quanto nosso país está em busca de inovações e como o nosso setor é cobiçado pelo mercado internacional. A cada ano na Fipan encontramos mais estandes internacionais, Portugal, França, Alemanha.
 
Antigamente víamos eles mais presentes com maquinários, mas hoje estão chegando forte com insumos para acrescentar e agregar valores ao nosso pão de cada dia, farinhas, mesclas, massa madres desidratadas, técnicas de fermentação inovadoras etc. Também estão estreitando os laços, o que para nós é a oportunidade de conhecer como eles trabalham, como mantém a qualidade, como inovam. É tudo muito interessante. 
 
Mas temos que saber olhar e analisar cada produto oferecido, ver os benefícios que podem ser agregados verdadeiramente à nossa realidade, pois temos muitos segmentos na panificação brasileira, o pão industrializado, o pão comercial do dia dia, e hoje um mercado novo na minha opnião que é “O Pão com Arte”.
 
O Pão Artesanal é um produto de qualidade com ingredientes especiais e selecionados, sem aditivos químicos, fermentação natural, rico em sabor, textura especial que surpreenda quem o degusta.
 
Serviço 
Neiva Terceiro Pães Artesanais 
Telefones: (85) 3268.2915 e 9202.1423. 
Site: www.paesartesanais.com.br